A banoffee do Machry está entre os melhores doces da cidade por três motivos:
As bolinhas de canela, as geniais bolinhas de canela. Elas acertam dois coelhos, a apresentação e a quantidade de canela, com apenas uma cajadada extremamente concisa e bonita: bolinhas. A canela aparece na boca sem tomar conta de tudo e a fatia da torta fica linda e característica. Ela sempre sai bem nas fotos (a foto não me deixa mentir) e basta bater o olho para que todo mundo reconheça: é a torta de banana do Machry.
O “chantilly”, o orgulho da casa. Entre aspas porque é uma mistura de chantilly com merengue, acho que poderíamos chamar de chantengue ou merentilly. Que textura! Que neutralidade! Nada mais bolo de aniversário de supermercado que cobrir uma torta de chantilly. Eca, não engulo chantilly. Por outro lado, merentilly… Sim, eu entendo, merentilly não é uma explosão de sabor, mas é exatamente por isso que está ali, neutralizar o dulçor da banana e do doce de leite. E ele faz isso com graça e leveza.
Por fim, as bananas. Em geral, os confeiteiros caramelizam as bananas para fugir da oxidação e uniformizar (atropelar) o ponto de maturação. Mas, socorro, bananas não precisam de mais açúcar! Menos ainda quando serão cobertas por doce de leite. Caramelizar é uma solução covarde, fácil, para se lidar com bananas. O Machry se desafia a fazer o melhor e mais complicado caminho: usar bananas in natura no ponto certo. Todos os dias usam bananas frescas e na maturação perfeita (portanto, dulçor, textura e intensidade do flavor de banana ideais). É lindo de ver a coragem e a consistência. Está sempre no ponto.
Extra: O pão de queijo deles tem uma característica muito interessante e prazerosa. Morda e mastigue. Calma, não engole, continue mastigando. Sua língua (que só sente gostos, não aromas) vai indicar: tem alguma coisa nisso… mas não é salgado, azedo, amargo, nem doce. O que é? É umami, o “quinto gosto”. Você conhece umami dos caldos industrializados e daquele “sal” japonês, mas o umami do pão de queijo do Machry não é um umami barato, é um umami muito melhor, refinado na língua. Percebe? Ele vem do queijo, queijo de verdade. Queijos maturados são ricos em umami. Ah, mas um detalhe logístico: tem de levar a bandeja para fornear em casa, porque os que servem na loja é forneado sabe-se lá que horas, podem estar murchos, murchos.
Atualização (02/05/18): Tiram o queijo do pão de queijo. Agora é pão de polvilho.