Les Frangins é uma hamburgueria de jovens para jovens no burburinho noturno da Place Bellecour em Lyon. O garçom faz questão de falar em inglês, fazer valer as aulas e o diferencial que disse ter na entrevista de emprego. Diferencial nada ignorável numa Lyon cheia de famílias alemãs descendo para praia e, inexplicavelmente, estadunidenses. A UE ainda está fechada para o Novo Mundo, o que todos eles estão fazendo aqui desde março? O garçom, em inglês, tenta me vender o hambúrguer (sanduíche) com hambúrguer (carne) marinado em Jack Daniels, cheddar maturado, cebola caramelada e molho barbecue. Eu não me interesso, fico com o xis-salada-bacon-ovo. Bom bacon, bom queijo Cantal, bom ovo (o sabor da gema, inclusive, predomina no sanduíche, algo que nunca tinha visto acontecer num xis-salada-bacon-ovo), bom pão (fresquinho de Le Moulin de Léa, surpreendente crosta crocante para um pão de leite), bom hambúrguer (suculento, ligeira crosta, carne fresca da Boucherie Centrale des Halles, sem ranço, pouca gordura, alguma cartilagem perdida aqui e ali). Genuinamente interessado, um dos jovens sócios pergunta o que achei, eu elogio o pão. Depois que me viro para ir embora, o garçom ri, provavelmente sem se dar conta que eu o entendo, “o pão?’. Sim, o pão. Quem vende hambúrguer (sanduíche) deve valorizar o pão. Se eu não elogiei o hambúrguer (carne), é porque ele não foi o destaque. Se eu não peguei o hambúrguer (sanduíche) com ingredientes mirabolantes, é porque valorizo uma boa carne, um bom pão, um bom ovo, um bom queijo, um bom bacon. Escolher fornecedores também é técnica culinária. Comprar bom pão também é mérito.
Les Frangins
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