Lasai

Praticamente nenhum fio de cabelo fora do lugar, tudo muito bem planejado, controlado e executado. Ideias, propostas e valores explícitos na comida, no ambiente, no atendimento. Mas quase tudo bege, desmaiado e cru. Levam “lasai”, “tranquilo”, ao pé da letra. Talvez literais demais? Quando pagamos R$500 pela comida, sem bebida, acredito ser justo esperar que essa comida ofereça gostos, aromas, apresentações e texturas complexas, profundas, instigantes, surpreendentes, encantadoras, deliciosas. É ou não é?

Aos mais curiosos, seguem minhas notas da noite. Faltou ânimo para transformar em parágrafos.

Eu encasqueto com a campainha. Para que essa modinha de campainha? Para ter de explicar que tem de apertar a campainha? Para esconder e fazer a gente ficar procurando a bichinha? Por quê? Exclusividade? Evitar curiosos? Ladrões? Por quê, meu deus? Alguém me explica.

@davidmxml encasqueta com o uniforme bege de algodão cru. Calça no joelho, camisa tipo bata, alpargatas. Prefiro não opinar.
Colocam a gente numa mesa escura feito breu, pedimos para trocar pela única que parece mais iluminadinha.
Menos/menores vegetais na redoma daria mais sensação de levitação. Assim, fica parecendo que se apoia no vidro.

Vivente. Naturalmente gaseificado, gaúcho. Super mega ácido, frutas vermelhas, interessante, álcool bem geleia de morango, termina sagu.
Creme de couve-flor e castanha-do-Brasil. Combinação nova, não necessariamente gostosa. Meio branca/amarela demais? Intenso couve-flor.
Abóbora e araruta, parece baconzitos, salgado, mas molenga, bem aboborento.
Brioche, manteiga de amendoim, banana da terra. Melhor snack, docinho, brioche bem tostado e amendoizado.
Quiabo, trigo sarraceno. Bonzinho e bobinho.
Abobrinha, sementes, ricota. Muito salgado, meh. Sementes gostosas, mas e a abobrinha, cadê?
Grão de bico e yacon. Yacon fermentado/picles, primeira acidezinha, ainda bege.
Snacks todos meio bege. Excelentes vegetais, mas não extrai o potencial deles. Vinho foi bem com o brioche, deu um amarguinho ao vinho, de resto, nada funcionou.

Leuconoe. Vinho branco de uva vermelha, sul da Itália, pouco aroma no orto, intenso no retro. Orto água. Retro mineral, salgadinho, bem ácido, cítrico se forçar, como limão amarguinho.
Sourdough, seco como biscoito de polvilho velho. Alô, biscoito Globo? Manteiga de iogurte bem queijosa, entre queijo azul e brie. Bem aerada, uma espuma.
Couve-kale, palmito, mostarda, queijo Santana de Minas. Bem defumado. O palmito tem sabor de milho. Queijo nada a ver no prato, gorgonzola aleatório. Aumenta a doçura do vinho de início, depois amarga e fica um álcool forte como de cachaça ruim.

Las cepas de curro. Jerez sem fortificar, Andaluzia, claro. Bem bem aromático. Nozes, floral de essência, não de flor fresca, tipo essência de flor-de-laranjeira, mineral, especiarias. Ácido, doce, carvalho, doçura puxa frutado na boca.
Ovo, vagem, chuchu, brócolis. O ovo funciona de molho, gordo e salgadinho. Bom, na real. Eu curto vegetais. Vinho vai mal com os vegetais, destaca o floral, vira produto de limpeza. Mas com o ovo, faz aumentar o frutado final.

Pipeño. Chileno, tudo das antigas. Primeira uva trazida pelos espanhóis, selo em cera. Com o porco, parece refri, meio gaseificado, fanta uva, com algum floral. Rabanetes, couve-rábano, eryngui, costela de porco. Bem defumado. Cogumelos deliciosos, carnosos, parece gordura de churrasco texano. Porco macio, macio, docinho, salgadinho, mas as pontinhas, na verdade, estão queimadas. Rabanete e kohlrabi desaparecem completamente.

Drinque de porto branco, rum e laranja.
Mousse de baileys, manga, caju. Mentolado. Bem creme de leite. Um pouco chá. Bem sem graça.
Bolo de cenoura bem cenouroso, sorvete de requeijão Santana, mousse de chocolate bem chocolatoso embora clarinho e mousse levinha. A coisa mais intensa e gostosa é a noz caramelizada.

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